sábado, 25 de Outubro de 2008

Eça, sempre actual


Que diferença fazem 141 anos em relação aos tempos actuais ?

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Carta de um caloteiro


Não faço ideia de conseguem ler este recorte de jornal, uma carta escrita por um caloteiro, que é uma verdadeira pérola! Só pela "cara de pau", como dizem os nossos irmãos de terras de Vera Cruz, o homem merecia ver perdoadas as suas dividas e firmar um contrato como humorista nalgum talk show televisivo.
NB. Se clicarem sobre o recorte ele aparece em aumentado e lê-se com facilidade.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Carta aos pais


Carta aos Pais

Queridos pais:
Com muita pena vos digo que fugi com o meu noivo, encontrei o amor da minha vida. Estou absolutamente fascinada com os seus piercings, cicatrizes e tatuagens. Mas não é só, estou grávida de gémeos. Aprendi também que a marijuana e a cocaína não fazem mal a ninguém. Só rezo para que a Ciência encontre a cura da Sida, o Joaquim merece. Não se preocupem com o dinheiro, o Joaquim conseguiu que eu entrasse em filmes com outros amigos, posso ganhar 50€/ hora; se for com mais de três homens são 200€, e se entrar o pastor alemão do Joaquim são 300€. Não te preocupes, mãe. Já tenho 15 anos e sei cuidar de mim mesma. Com muito carinho, a vossa querida filha.

PS: Pai, é uma brincadeira, estou a ver televisão na casa da vizinha, só queria mostra-te que há coisas piores na vida que as minhas notas.


Resposta do pai

Querida filha:
Dei a carta a ler à tua mãe, teve um AVC e foi internada de urgência, está entre a vida e a morte. Por causa disso e a conselho dos advogados foste retirada do testamento. Todas as coisas do teu quarto foram doadas e também mudámos a fechadura da nossa casa. Não tentes fazer pagamentos por Multibanco, porque a conta foi cancelada. Demos também baixa do teu telemóvel. Demos também a tua colecção de CDs ao anormal do 5º andar. Podes começar também a pensar em trabalhar, com a tua idade e com esse corpinho estou certo que trabalho não vai faltar, apesar da concorrência das brasileiras. Enfim, espero que sejas muito feliz na tua nova vida..

PS: Filha querida, claro que é tudo uma brincadeira, a tua mãe está aqui a ver a novela. Só queríamos mostrar-te que há coisas bem piores que passares os próximos 3 meses sem sair de casa, sem ir à Internet sem ver televisão por causa das tuas notas e da tua brincadeira de merda!


(Excerto de um e-mail que me foi enviado e que me deixou a pensar...)

sábado, 4 de Outubro de 2008

Uma vida a correr


Ocupamos de tal maneira o tempo - eu, reiterante nestas práticas, igualmente me confesso - que passamos a vida com a sensação de que ele não chega para nada. Não temos o tempo suficiente para fazer tudo aquilo que queremos. No entanto, quando ousamos parar um pouco, talvez, no fundo de nós, algo nos pergunte: Para quê esta pressa, esta necessidade de fazer tantas coisas? O que é que, afinal, isso nos traz de importante e, sobretudo, onde é que acaba por nos levar? Uma das grandes preocupações do nosso "estilo de vida moderno" é não perder tempo. Aproveitar ao máximo todos os minutos. Chegar a tempo, ganhar tempo, mesmo sem saber de quê nem para quê. Quando não havia electricidade, aquilo que fazíamos era mais comandado pela luz do Sol do que por outras pressões exteriores, obrigações a cumprir - embora muitas das criações mais geniais da literatura universal tenham sido escritas à luz de candelabros de velas ou de lamparinas de azeite. Mas é um facto que o dia era mais vivido enquanto tal, e a noite mais sentida como noite. E o facto de cada um desses tempos opostos e complementares nos permitir descansar do outro trazia-nos um certo equilíbrio. O computador veio tornar-me possível elaborar muitos mais textos do que quando usava a máquina de escrever, a estenografia, ou a caneta. E, inclusive, esta máquina fabulosa, quando ligada à Internet, pode dispensar-me de qualquer contacto ao vivo com os meus companheiros de trabalho ou com os destinatários dos meus textos ou meras missivas. Hoje em dia, com a automação de muitas tarefas e o facilitismo que era suposto elas nos proporcionarem, em vez de ganharmos tempo para o lazer, o ócio, passamos o dia, a semana, o tempo todo a acelerar, a produzir. Em vez de disfrutar da vida, que é só uma, irrepetível, com termo incerto, consumimo-la. Acontece que o tempo não se perde nem se ganha, ele simplesmente passa e a única coisa que nos convida é que o aproveitemos, não no sentido de fazer o maior número de coisas possíveis, mas no de o gozar. O respirar. O viver. O deleitarmo-nos preguiçosamente e com detalhe numa actividade, fica muitas vezes prejudicado pelo afã de fazer muita coisa. E às vezes esta necessidade frenética de nos mantermos sempre ocupados, mais não é do que uma forma sub-consciente de anestesiarmos pensamentos, ou colmatarmos carências de outra ordem. Eu, por exemplo, aprendi que uma doença pode alterar-nos por completo o dia-a-dia, destruturando-o, mas pode também ser uma ocasião privilegiada para um passo em frente no sentido do crescimento. E, o melhor que temos a fazer, é aproveitar para dar um novo rumo à nossa vida. A propósito: Quem quer ir comigo passar a segunda quinzena do próximo mês num país da América Latina?

quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Amor, para que te quero?


Não vou tecer grandes comentários sobre a permissão, ou não, do casamento entre pessoas de sexo oposto até porque, confesso, já cansei de tanta polémica idiota. Em Espanha, um dos estados mais católicos do mundo, já se atingiu um estádio de maturidade capaz de se pensar em moldes diferentes: "São adultos, amam-se, a sua opção sexual é consciente, definitiva, partilhada, irreversível, então porquê retardar o seu anseio romântico - mais do que legitimo e dentro do espírito de todas as Constituições de raiz democrática que primam, acima de tudo, pela liberdade do ser-humano - e não possibilitar-lhes um direito em tudo igual ao dos heterossexuais?" - Não será isto pura discriminação, mentalidade tacanha, resquícios clericais, moralismos exacerbados, hipocrisia, ainda que em estado gasoso; incapacidade de aceitar que a realidade muda e é imperioso que nós mudemos com ela, ao seu ritmo?


Seria bem mais prudente falar-se da felicidade relacional - seja ela hetero ou homossexual - e fazer alguma pedagogia sobre como manter um casal unido, para que uma relação subsista e não se desmorone à miníma querela, com as consequências nefastas por todos nós conhecidas. Não invadir o espaço do outro; aceitar o passado de cada um; nunca dizer tudo um ao outro (para quê?); respeitar a família de cada um; não se isolar e estar com os amigos; rir muito; passear muito; fazer amor nos lugares e ocasiões mais incríveis; dar presentes sem ser nas datas convencionais; aprender a aceitar as diferenças e, sobretudo, não confundir o todo com as partes. Afinal são conselhos bem simplistas que todos nós devemos praticar e, na medida do possível, transmitir aos outros para que os interiorizem. O segredo reside na mudança de mentalidade que não é mais do que ver as coisas por outro ângulo: pelo prisma da tolerância e do não reducionismo.


Um casal é um conjunto de duas pessoas, com regras de funcionamento que estão para além de cada um e, dependendo de casal para casal, a individualidade de cada um reforça a relação e dá-lhe inovação e graça permanentes que advêm das experiências que cada um traz à relação. Esta individualidade é por vezes travada pela necessidade de controle e pelo ciume que, nalguns casos, é a tónica dominante. Ao longo da vida em comum, as necessidades de espaço individual vão variando, alternando entre períodos de maior necessidade fusional e de maior autonomia. Mas esta alternância não significa uma flutuação afectiva - ou não deve significar. Pode até variar na razão inversa. Respeitar estes espaços flutuantes individuais poderá ajudar a que cada um se sinta compreendido na sua individualidade.


Nalguns casais que conheço, encontro aquilo que se pode chamar "ciume retroactivo". Têm-se ciumes do que o outro viveu antes da actual situação amorosa. Ciumes dos antigos amores, daquilo que o outro possa ter vivido mais intensamente do que actualmente, de amores imaginados como não resolvidos, de contactos que se mantêm, de relações de amizade que tiveram no amor o seu início. Enfim, há uma pleiâde de factores que podem, caso não sejam controlados, levar à rápida degradação de uma relação amorosa. A escolha do outro implica aceitar uma história de que não se fez parte, nem nunca se fará, por mais odaliscas ou príncipes encantados que nela tenham intervindo. Sobretudo, nunca nos devemos sentir em 2ª ou 3ª mão, pois é precisamente esse sentimento primário que é possível, com inteligência e figurino, ser contrariado, já que a história do outro/a nunca poderá ser reescrita a nosso bel-prazer. Amemos e aceitemos o outro tal como ele é. Prometo-vos que vale a pena, assim haja tanto amor!

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Ainda sobre a polémica do post anterior


Fiquei curiosa como uma simples frase, escrita por um pensador romano há mais de mil anos, possa ter gerado tanta polémica. Talvez o sentido actualissímo da questão - a eterna questíncula entre optar por ter uma reacção maior do que a provocação ou, pelo contrário, mostrar superioridade através da imperturbabilidade - tenha atiçado as nossas mentes. Mas de facto é algo que não deixa de ser verdadeiro e que nos acompanha na maioria das interacções que estabelecemos no quotidiano, seja no local de trabalho, na escola, no hospital, na Universidade ou, inclusive, num mero espaço de lazer entre amigos. São demasiadas as mulheres que se queixam amíude do avanço da idade, porque que lhes rouba a beleza, porque lhes trás rugas, peles moles, porque faz com que se sintam menos atraentes aos olhos do sexo oposto. Os divãs dos psicanalistas enchem-se de musas incapazes de lidar com a voragem do tempo, frustres, incapazes de tentar tirar partido daquilo que a meia-idade tem de melhor: o ganho em capital de experiência, a possibilidade, única, de conseguir, finalmente, fazer sínteses e súmulas da vida; a previsibilidade das coisas; e, sobretudo, o domínio do saber-mor da ciência: o conhecimento da causa-efeito, para prevenir, para não descuidar, para não sofrer. Desperdiçamos grande parte da nossa energia com coisas que pertencem ao passado ou investindo tudo no futuro. Entretanto, o único tempo real que existe é o presente, apesar de fugaz, imparável, incapaz de ser sustido, como uma lufada de vento numa manhã enevoada. Mas aquilo que se está a passar no preciso instante em que aqui estamos - o agora - é o que mais importa e é apreciando-o bem que vamos podendo estar contentes com o que somos e temos. Ou seja, felizes na medida do possível. Bem-Estar interior é um passo em frente no caminho da mudança para melhor, então porquê levar uma vida carregada de azedumes, exponenciando cóleras, reagindo a atitudes primatas de comparsas que o que esperam de nós é a desorientação para com mais sucesso nos atingirem, logo que exponhamos o flanco?


Muito mais do que um mero gesto de cortesia que, desde pequenos, nos é apresentado como fazendo parte da "boa educação", agradecer aquilo que a vida nos dá torna mais fluída a energia que existe no interior de nós mesmos. E esse sentimento de apreciação grata, relativamente aos beneficíos recebidos, é uma expressão da alma. Por mim falo. A cólera aumenta os níveis de colesterol, dilata a possibilidade de se vir a padecer de um acidente vascular cerebral, ou de um enfarte do miocárdio. O inevitável, mais do que tudo, é uma verdade semântica; então para quê consumirmos as nossas preciosas energias com seres medíocres que outra coisa não pretendem senão despoletar-nos uma reacção: o estímulo (provocação) - resposta (cólera). Porque não contrariar o efeito (por eles) desejado e deixar que um sorriso daviniano anoiteça no nosso semblante? Eu não quero a guerra, muito menos se estiver instalada dentro de mim. E há sempre muito a fazer para evitar ou amortizar um conflito. Afinal o que mais importa é a forma como nós nos vemos, não as considerações que os outros tecem sobre nós. Se a nossa estima estiver bem cuidada, como uma roupa bem engomadinha, uns sapatinhos a condizer, ou um perfume delirante, tudo é mais suportável. E no dia em que as coisas não forem assim, é sinal que está na hora de mudar, nem que para isso seja preciso pedir ajuda. Agora vamos todos ver uns landscapes. Vá, fechem os olhos, façam uma forçazinha!

quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Uma verdade para meditar


" O meio mais perfeito para se vingar de uma pessoa má, é não se parecer com ela"


Marco Aurélio